Aug 29, 2011

A TIBIEZA NOS ESCRITOS DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Santo Afonso Maria de Ligório



“A alma caída em tibieza não pensa em se corrigir de suas faltas: e estas se multiplicando a tornam de tal sorte insensível aos remorsos, que um dia chega onde se acha perdida, sem que sequer o tenha percebido!” (Santo Afonso Maria de Ligório – A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo).
Diz o Senhor dos Exércitos:
“Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te” (Ap 3,15-16)
Isto é: “Seria mais vantajoso para ti, se fosses privado inteiramente da minha graça; porque terias mais esperança de sarar. Permanecendo pelo contrário, na tua tibieza, estás mais exposto à condenação, porque desse estado cairás mais facilmente em pecado mortal, com pouca esperança de te levantares” (Santo Afonso Maria de Ligório – A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo)
“Toma-se facilmente uma bebida, quando está fria ou quente; mas não, quando está tépida, porque causa náuseas. É por isso que a alma tíbia está exposta a ser vomitada da boca de Deus, ou a ser privada da sua graça e abandonada; o que é bem expresso pelo vômito, porque tem-se horror de tomar de novo o que uma vez se vomitou. Mas, eu pergunto, como é que Deus começa a vomitar uma alma? – Cessa de dar-lhe as luzes vivas da fé, as consolações espirituais, os santos desejos, e deixa de lhe fazer ouvir pelos apelos cheios de amor de que a tinha favorecido até então. Dai, ela se põe a descuidar da oração, das comunhões, visitas e preces, ou então faz tudo isso com grande enfado, desgosto e distração, ou faz tudo como forçada, com o espírito dissipado e agitado, e sem devoção. Eis de que maneira Deus começa a vomitá-la. E assim não achando senão peso e repugnância na oração e nos outros exercícios de piedade, sem nenhum alívio, a infeliz acaba por abandonar todos, e se deixa cair em faltas graves” (Santo Afonso Maria de Ligório – A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo).
Dizia Santo Afonso Maria de Ligório que “Sta. Jacinta de Mariscotti vivia com muita tibieza no convento de S. Bernardino de Viterbo, quando o Padre Bianchetti, religioso franciscano, ai veio na qualidade de confessor extraordinário. Apresentando-se para se confessar o padre lhe disse em tom severo: “És religiosa? Pois bem! Sabe que o paraíso não é para as religiosas vãs e orgulhosas”. Ao que respondeu: “Pois terei eu deixado o mundo para ir ao inferno?” “Sim, replicou o Padre, o inferno é a morada destinada às que te são iguais. É para lá que vão todas as religiosas que no convento vivem como seculares”. Esta sentença fez refletir a pobre irmã, que entrou em si, confessou-se, chorando amargamente a vida passada, e se pôs desde logo a marchar com passo firme no caminho da perfeição” (Santo Afonso Maria de Ligório – A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo).
Santo Afonso Maria de Ligório nos ensina que há duas espécies de tibieza; uma inevitável e outra evitável
“A tibieza inevitável é aquela da qual nem os santos são livres. Ela abrange todas as faltas cometidas sem plena deliberação, mas só pela nossa fragilidade humana: as distrações na oração, as perturbações interiores, as palavras inúteis, a vã curiosidade, o desejo de se mostrar, o gosto no comer e no beber, os movimentos de sensualidade não controlados prontamente, e tantos outros. Essas faltas, devemos evitá-las quanto pudermos mas devido à fraqueza de nossa natureza humana, corrompida pelo pecado, é impossível evitá-las todas. Devemos, sim nos arrepender quando fazemos estes pecados, pois desgostam a Deus, mas não devemos nos perturbar por causa delas. Escreve São Francisco de Sales: ‘Todos os pensamentos que nos trazem inquietação não são de Deus, príncipe da paz, mas nascem sempre ou do demônio ou do amor próprio ou da estima de nós mesmos.’ Portanto as faltas irrefletidas, feitas sem querer, também sem querer se apagam. Basta para isso um ato de arrependimento ou um ato de amor.
A tibieza, que impede a nossa santificação é aquela que chamamos de Evitável: cometer pecados veniais refletidos. Todos esses pecados cometidos de olhos abertos, bem que podemos evitá-los em nossa vida, com a graça de Deus. Por isso dizia Santa Teresa D’Avila: ‘Que Deus nos livre dos pecados deliberados, por pequeno que seja!’. Assim, por exemplo as mentiras voluntárias, as pequenas murmurações, as imprecações, os ressentimentos, o caçoar do próximo, as palavras picantes, a vaidade, as antipatias nutridas no coração, a afeição desordenada a pessoas de outro sexo. Santa Teresa D’Avila dizia que esses pecados são como vermes que não se deixam conhecer enquanto não roerem as virtudes em nós… Com as coisas pequenas o demônio vai abrindo buracos onde entram as coisas grandes. Por isso devemos recear cometer tais pecados deliberados. Por causa deles, Deus diminui as luzes mais claras no coração, seu socorro mais forte, e nos tira o consolo espiritual da alma. Por isso é que uma pessoa faz contrariada e com muito custo os atos de piedade. Depois começa a deixar a oração, a comunhão, as visitas a Jesus Sacramentado, as devoções; finalmente deixará tudo como já tem acontecido muitas vezes a tantas pessoas infelizes” (Santo Afonso Maria de Ligório – A Prática do amor a Jesus Cristo)
Contra tudo isso, nos ensina o mesmo santo que existem cinco meios para deixar a tibieza:
Primeiro, o desejo de perfeição; segundo, a decisão de alcançá-la; terceiro, a meditação; quarto, a comunhão frequente e quinto, a oração.
Que possamos abraçar os cinco meios ensinados por Santo Afonso Maria de Ligório, e fugir da tibieza que tanto impede a nossa perfeição, que tanto impede o vôo de nossas almas para Deus!
“Como a ave que, atravessando o ar em seu vôo, não deixa após si o traço de sua passagem, mas, ferindo o ar com suas penas, fende-o com a impetuosa força do bater de suas asas (Sb 5,11).
“Nossa alma escapou como um pássaro, dos laços do caçador. Rompeu-se a armadilha, e nos achamos livres. (Sl 123,7)”.
Salve Maria!