Apr 4, 2016

Uma meditação sobre o Paraíso para a Festa da Páscoa - Santo Afonso de Ligór

I
As Alegrias do Céu
Oh, felizes somos quando sofremos com paciência na terra as tribulações desta vida presente! A angústia das circunstâncias, os medos, as enfermidades físicas, perseguições e cruzes de todos os tipos, um dia chegarão ao fim; e se formos salvos, esses sofrimentos se tornarão para nós assuntos de alegria e glória no paraíso: A tua tristeza (nos diz o Salvador, para nos encorajar) se transformará em alegria.

Assim, grandes são as delícias do paraíso, que elas não podem ser explicadas nem compreendidas por nós mortais: o que o olho não viu (diz o Apóstolo), nem o ouvido ouviu, nem penetrou no coração do homem, as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam. As belezas como as do paraíso nunca foram vistas por olhos humanos; as harmonias como as harmonias do paraíso, ouvido humano jamais ouviu; nem jamais um coração humano compreendeu as alegrias que Deus preparou para aqueles que O amam.
Bela é a vista de uma paisagem adornada com montes, planícies, florestas e vistas do mar. Bela é a vista de um jardim abundante de frutos, flores a fontes. Oh, o paraíso é muito mais belo!
II
Para compreender a grandeza das alegrias do paraíso, basta conhecer que nesse reino abençoado reside um Deus Onipotente, cujo cuidado é fazer felizes suas amadas almas. São Bernardo diz que o paraíso é o local onde “não há nada que tu não queiras, e tudo o que quiseres.” Lá não encontrarás nada que te seja desagradável, e tudo que desejares encontrarás: “Não há nada que não encontrarias.” No paraíso não há noite; não há estações de inverno e verão; mas um dia perpétuo de serenidade invariável, e uma primavera perpétua de deleite invariável.
Lá não há mais perseguições, não há mais ciúmes; porque lá todos sinceramente amam uns aos outros, e cada um se rejubila com o bem uns dos outros, como se fosse o seu próprio. Lá não existe mais enfermidades físicas, não existe mais dores, porque o corpo não está mais sujeito ao sofrimento; lá não há mais pobreza, porque todos são ricos ao máximo, não tendo mais nada a desejar; lá não existe mais medos, porque a alma confirmada na graça não pode pecar mais, nem perder o bem supremo que ela possui.
III
“Lá encontra-se tudo o que quiseres.” “Nihil est nolis, totum est quod velis.” No paraíso terás tudo o que desejares. Lá a vista é satisfeita na contemplação dessa cidade tão bela e seus cidadãos estão todos vestidos com trajes reais, porque eles são todos reis desse reinado eterno.
Lá veremos a beleza de Maria, cuja aparência será mais bela do que a dos Anjos e Santos juntos.
Veremos a Beleza de Jesus, que ultrapassará imensamente a beleza de Maria.
O olfato será satisfeito com os perfumes do paraíso. A audição será satisfeita com as harmonias do céu e os cânticos dos beatos, que cantarão todos os louvores divinos com doçura arrebatadora por toda a eternidade.
Oh, meu Deus não mereço o paraíso, mas o inferno; contudo, a Vossa morte me dá a esperança de obtê-lo. Desejo e peço a Vós o paraíso, não tanto para desfrutar, mas para Vos amar para sempre, confiante de que nunca mais será possível vos perder.
Oh, Maria, minha Mãe, Oh Estrela do Mar, cabe a vós, através de vossas orações, conduzir-me ao paraíso.
Santo Afonso Maria de Ligório
Três Meditações sobre o Paraíso para a Festa da Páscoa
[Tradução do inglês a partir da tradução de Francesca Romana em Rorate Caeli]

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