quarta-feira, 28 de junho de 2017

DE COMO CONSIDERAR A VERDADEIRA GRANDEZA-CAPÍTULO XI – LIVRO IMITAÇÃO DE MARIA



CAPÍTULO XI – LIVRO IMITAÇÃO DE MARIA
DE COMO CONSIDERAR A VERDADEIRA GRANDEZA

Infinita é a diferença entre as distinções do mundo e as que têm a graça como princípio. Riquezas imensas, palácios soberbos, servos sem conta, anunciam a grandeza dos reis. O desprezo do mundo, o horror ao pecado, o amor de Deus eis o que anuncia a grandeza do justo. A verdadeira glória, o verdadeiro mérito, o "tudo para o homem" consiste "no temor de Deus e na observância dos seus mandamentos" (Ecl 12,13).
O Anjo enviado a Maria pelo Senhor lhe disse: "eu te saúdo, Maria, cheia de graça - o Senhor está contigo".
Que elogio mais glorioso poderia fazer da Virgem? Aquele a quem se pudesse dizer: "achaste graça diante de Deus", és agradável aos olhos de Deus, seria certamente digno de todos os louvores dos Anjos e dos homens.
Ao tempo em que o Anjo foi enviado a Maria, reinavam "Augusto" e "Herodes". Mereceram ser chamados grandes, poderosos, magnânimos, mas o que eram eles em face de Deus, o Único Juiz equitativo da verdadeira grandeza?
Uma virgem, escondida em sua solidão, em Nazaré, era infinitamente mais digna do que eles de todos aqueles grandes elogios. A sólida grandeza não se mede pelas vãs ideias dos homens, senão pelas de Deus.
Diante de Deus, só Ele é grande; depois dele só é grande o que a Ele diz respeito. Que valem todos os heróis que o universo admira, ao lado dos grandes homens que a religião forma pelas virtudes? "Bem mais glorioso é dominar paixões que povos" (Pv 16,32). Bem mais custoso é vencer-se a si mesmo que conquistar vitórias sobre os outros.
O maior vencedor é o vencedor de si próprio. Das lutas a mais meritória é a do virtuoso contra o pecado, do homem racional contra o animal.
Um verdadeiro cristão não deve ser visto como um desses heróis que devem o seu heroísmo a uma ocasião fortuita, heróis de um dia apenas. Tem de ser um herói de toda a vida.

Sua glória está em remover todos os obstáculos que se lhe opõem assim como a sua finalidade consiste em possuir o seu Deus e nele repousar.
Porventura, maior honra haverá do que a de servir a Deus e de lhe pertencer? "Servi-lo é reinar".
Ao falar de Abraão, de Moisés, de Davi, dos maiores homens que apareceram sobre a terra, a Escritura os denomina "Servos de Deus". Só este título abrange os demais; nada valem os outros todos comparados a ele. Tão elevada é a qualidade de "Servo de Deus" em relação à de rei ou soberano, como elevado se acha Deus em relação aos soberanos e reis.
Ó Rei Imortal, Mestre Soberano do Universo, para vós é que fui criado, e somente para Vós!
Poderá quem Vos conheça desperdiçar com objetos outros as suas homenagens? Poderá quem Vos conheça deixar de estimar infinitamente a condição daqueles que Vos servem? Que glória igual para o homem, criatura tão miserável em si mesma como, para sua maior honra, Vos servir e vos "amar"?
Fazei Senhor, que por graça vossa eu possa compreender como uma pessoa comum, reservadamente, numa vida oculta como a de Maria, todas as vossas vontades, faz algo mais glorioso e imenso que tudo isso que é tido na conta de imenso e glorioso no conceito de um mundo insensato e "cego"!

A honra, a nobreza, a glória ligada ao vosso serviço inspirem em todas as minhas ações uma grandeza d'alma, uma generosidade e uma perseverança dignas do Mestre a quem sirvo.



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