sábado, 1 de julho de 2017

QUE A VERDADEIRA GLÓRIA ESTÁ OCULTA SOB A HUMILDADE CRISTÃ-CAPÍTULO XIII – LIVRO IMITAÇÃO DE MARIA



CAPÍTULO XIII – LIVRO IMITAÇÃO DE MARIA
QUE A VERDADEIRA GLÓRIA ESTÁ OCULTA SOB A HUMILDADE CRISTÃ

Os termos usados pelo Anjo no seu falar com Maria não combinavam no espírito da Virgem com as ideias que de si mesma fazia. Santo temor assaltou-lhe a alma. "Maria perturbou-se com o seu dizer". Dir-se-ia cogitar ante o que via em ilusão dos sentidos ou perfídia do espírito tentador. Afirmava-lhe o Anjo que ela era "bendita entre todas as mulheres".
Ora, crendo-se a derradeira entre todas, não podia perceber como semelhante elogio lhe era feito. O mesmo Anjo anunciava que de tal modo achara graça diante de Deus que, caso consentisse, dela faria a sua própria Mãe. Mas, visto o grau elevado em que é colocada, Maria humilha-se e muito feliz se julga com o atributo de serva.   
Cada cristão deve assim refletir acerca dos que são do mundo:
Ó vós que só a glória respirais, Maria vos ensina onde a achareis certamente. A sólida e verdadeira glória consiste em se fazer pequeno. Assim o julga o próprio Deus. Está escrito: "O que for menor entre vós, este será o maior" (Lc 9,48).
Não somente é sólida essa grandeza, como vos dará segurança absoluta. Ninguém vo-la disputará, nem de vossas mãos a arrebatará jamais. Se vos fazeis os mais pequeninos, maiores vos tomareis, pois que, convencidos de que nada sois e nada podeis, essa convicção tanto mais vos humilha, quanto mais vos eleva para Deus, a quem reconhecereis como o único autor soberano de todos os bens.
E contareis, então, com o poder de Deus, tanto mais firmemente, quanto é certo que a Deus sobre-modo apraz aos fracos fortalecer.
A humildade, de resto, vos salvará das baixezas a que reduzem o homem a ambição e o orgulho. Haverá, de fato, alma mais vil que a do homem dominado pela paixão de crescer para o mundo, ou por este ser aplaudido?
Ela vos tornará independente do respeito humano, e das vãs ideias dos homens, em referencia aos quais tereis as palavras do apóstolo: "Para mim, pouco importa que o acrediteis. Só um juiz tenho e esse Juiz é Deus" (1Cor 4,3-4).
Pela humildade, olhareis indiferentes às honras deste mundo, porquanto através do seu fulgor facilmente descobrireis a ilusão e a vaidade. Por ela não vos medireis com o próximo, mas honrá-lo-eis, vendo-o acima de vós, por ordem ou por estima.
Ao homem, algo de baixeza parece a humildade. Explica-se isso porque o homem tudo julga pelos sentidos e só pelos bens sensíveis pode ser impressionado.
Na verdade, porém, ela é uma das virtudes mais próprias para formar corações grandes e nobres.
Entre todas as virtudes, a humildade é a que mais imprime solidez no espírito e mais firmeza na alma. Sobretudo a humildade imprimirá no homem os mais belos traços de semelhanças com Jesus-Homem-Deus, princípio da verdadeira grandeza, e da glória verdadeira.
Homem nenhum será maior e mais glorioso que qualquer que consiga imitar este divino modelo, e nunca poderemos dele nos aproximar se "pequeninos nos não tornarmos". Mais perto ainda se, uma vez humilhados, mostramos amor à humilhação.
Jesus, por ser humilde, amava a humilhação, pois sabia quanto por esse meio glorificava a seu Pai. Foi ao tempo das humilhações de Jesus que o Pai celeste declarou ser o Filho o "objeto de suas complacências", enquanto entoavam os anjos o "Gloria in excelsis Deo"!
Se te mostrares humilde, Deus será por ti glorificado. E haverá maior glória que procurar uma pequenina criatura a glória imensa do seu Criador?
Ó Rainha do Céu, em quem evidentemente se realizou este oráculo: "quem se humilha, será exaltado" (Lc 18,14), vós que fostes quanto mais exaltada tanto mais humilde, consegui para mim as necessárias graças por destruir este fundo de soberba que me domina.
Ai, só tive até hoje aparências de humildade, e só o fiz para ganhar as estimas do mundo, o qual por muito pervertido, costuma todavia desprezar os soberbos.

Obtende para mim, terna Mãe, uma humildade sincera que, junto à convicção de minha fraqueza, me faça, a exemplo vosso, tudo a Deus referir, tudo de Deus esperar, em tudo depender de Deus, para que assim digno me torneis da estima de Deus, fonte única de distinção e grandeza.

 


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